Resenha :: Ozob - Vol.1: Protocolo Molotov

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"Tudo que você mistura com vodca fica mais fraco que vodca."

Esse livro é baseado em um podcast de RPG de mesa, contando a história de um dos personagens, o Ozob, que resumindo, ele é um replicante (replicantes são humanos melhorados, mas com data de validade e que são proibidos na Terra), albino, palhaço (no sentido visual) e especialista em explosivos. E o livro tem dois autores: Leonel Caldela e Deive Pazos, também conhecido como Azaghal.
"Uma ideia é frágil. As corporações vão pisotear uma ideia até que morra. Ou até que se torne uma ideia completamente diferente, mais adequada aos interesses do mercado. Uma ideia não morre com um tiro, mas morre com indiferença."

O livro começa seis meses após o "nascimento" de Ozob, quando ele está fugindo de Blade Runners/Caçadores de Replicantes e pelo acaso acaba encontrando-se com uma banda punk enquanto a mesma está fazendo um show de guerrilha, os War Roadies, que são compostos por: Califórnia, especialista em computadores e a líder da banda; Johnny Molotov, o guitarrista e vocalista da banda; e Vivika, que é quem mantém todos eles vivos.
A história se desenrola entre o começo da vida de Ozob, com seus 3 "irmãos" e seu "pai" vivendo nas colônias, até o momento em que ele vem para a Terra e o presente, vivendo com os War Roadies.
“Você acha que me conhece? Tu não sabe a minha história e nunca olhou na minha cara, babaca!"

Agora é o momento em que você deve estar se perguntando: "Mas o que esse livro tem de mais?". 
Bom, vamos começar pela descrição. Pense em um autor que não poupa o leitor. Se você não pensou no Caldela, pensou errado. No livro temos: canibalismo, tortura, mutilação, pancadaria franca, uso de drogas, escravidão, cárcere privado, estupro, abuso mental e corporal, opressão capitalista a níveis inimagináveis e um sentimento de impotência. Isso é um resumo, as descrições são bem mais pesadas.
O livro é recheado de teorias das conspirações, como o McDonald's modificar a carne do hambúrguer para as pessoas ficarem viciadas nela e inchar os estômagos das pessoas para comerem cada vez mais lixo ou o Clube dos 27.
"Parecia estar chovendo, mas era só esgoto pingando do céu."

Existem várias referências à cultura punk rock, o nome de cada capítulo é o nome traduzido alguma música de bandas punks que fizeram sucesso, como Ramones, Sex Pistols, Bar Religion,  Dead Kennedys, L7 e mais uma porrada que não estou lembrando nesse momento.
Agora, a cereja do bolo, por favor leitor, inverta a palavra O-Z-O-B... É, Ozob, foi baseado no Bozo e seus irmãos também foram baseados em outros palhaços. Rizzo, um replicante que não sabe diferenciar a realidade de um jogo é baseado no Garoto Juca; Guzzo, Replicante trans, baseado na Vovó Mafalda, já que o sobre nome do ator que fazia a personagem, se chamava Guzzo; e Zatati Ratatá, gêmeos siameses, duas cabeças e três braços (imagine como preferir) grande vilão do passado de Ozob.
"Você estava sendo caçado só porque é pós-humano. A polícia corporativa matou e espancou aquelas pessoas porque estavam ouvindo e tocando música. Alguém tem que resistir a isso."

Se o livro vale a pena? É um dos meus livros favoritos, mas você precisa ter estômago para o que tem no livro, em vários momentos você sente um aperto no estômago, cada vez que o Ratatá aparece, ele consegue fazer você sentir tanta raiva que você começa a pensar com qual cabeça ia sofrer primeiro.
O Ozob é aquele tipo de herói (se é que podemos chamar ele assim) que se tiver um bloqueio em seu caminho, ele explode o caminho e segue pela cratera. Os personagens são todos incríveis. Vivika, apesar de não ter muito destaque, quando entra em ação, você sabe que vai vir cena boa (é uma ex-soldada geneticamente modificada que tem garras e moikano de mercúrio) e não tenho palavras para descrever Califórnia.
Então eu recomendo sim, ele tem uma ótima historia, personagens fortíssimos e para quem gosta de sofrer, vai amar ele.
"Beija meu nariz, desgraçado!"


P.S. Confira agora a playlist que os autores fizeram para o livro, apenas com músicas punk, que combina muito com os momentos de ação, ou seja, combina no livro todo.




Nota :: 

Informações Técnicas do livro

Ozob - Vol.1: Protocolo Molotov
Ozob # 1
Ano: 2015
Páginas: 420
Editora: Nerdbooks
Sinopse (Skoob):
O futuro chegou. E é pior do que os nossos pesadelos.
O século 22 é uma época escura, feita de cibernética, inteligências artificiais, megacorporações que controlam os governos, redes sociais onipresentes, gangues e violência. No centro de tudo, uma metrópole se ergue em plataformas sucessivas, com prédios que se elevam acima das nuvens.
Construída sobre o que já foi Nova York, Delta City abriga as maiores corporações e milhões de habitantes. Mas, nas ruas sob as plataformas, a Cidade Baixa é o lar de criminosos, miseráveis e escória. O lar de Ozob.
Ozob, um construto genético encomendado por uma corporação, feito à imagem da mente insana de seu criador. Perseguido por seus irmãos sanguinários, só tem mais dois anos de vida. Para ele, nenhum minuto pode ser desperdiçado.
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